Roteiro de 3 dias em Santiago

 

Ouso dizer que Santiago é a capital mais extraordinária da América do Sul. É uma cidade com várias faces; uma mescla de história, tradição, modernidade e tecnologia, tudo isso abraçado pela Cordilheira dos Andes, transformando cada rua em um cenário cinematográfico. Confesso que não estava com altas expectativas (mesmo que meu irmão tentasse me convencer do contrário, porque ele já morou lá e sabia do que estava falando), mas tive que dar o braço à torcer (com muito orgulho e felicidade), porque eu nunca pensei que fosse amar tanto esse lugar.

Chegando no Chile com vista das Cordilheiras – Foto: Viajante Express


Santiago possui mais de 5 milhões de habitantes, é uma das maiores cidades das Américas e, a partir de lá, você consegue desbravar tudo que há de melhor no Chile: as Cordilheiras, os parques nacionais, as praias e as vinícolas. Lá se encontram o maior prédio da América Latina, o Sky Costanera, com 300 metros de altura e o segundo maior sistema de metrô da América Latina, com 100 km de extensão.

Agora vamos para o que te trouxe aqui, o nosso roteiro de 3 dias por lá. Santiago foi o nosso destino assim que saímos do cartório, no dia do nosso casamento civil, em Julho de 2017. Obviamente, muitas coisas ficaram para trás e aquele gostinho de quero mais está sempre presente. Mas, era o tempo que tínhamos disponível e nos planejamos para aproveitar ao máximo essa cidade tão sensacional.

Dia 1 – Centro Histórico, Cerro Santa Lucía, Bellavista e Cerro San Cristóbal

Nos hospedamos bem no centro do bairro Providência, em uma rua charmosa, arborizada e com muitas opções de lojas e restaurantes próximos (em breve teremos post sobre o hotel que ficamos). Saímos cedo, pegamos o metrô na estação Los Leones (foi uma das pouquíssimas vezes que andamos de transporte público por lá, lembra que amamos explorar tudo caminhando?) para irmos até o centro histórico. Descemos na estação Bellas Artes, dando de cara com o Parque Florestal e o Museu Nacional de Bellas Artes (confesso que a parte de trás estava bem degradada por pichações, dando um aspecto bem sombrio e sujo, apesar da construção e do parque serem lindos). Ficamos por alguns minutos, curtindo o sol do dia lindo, mas frio que, estava fazendo. Depois, seguimos pelo parque, sempre olhando para o horizonte, à procura das Cordilheiras.

Após 10 minutos de caminhada, chegamos à famosa Plaza de Armas, onde, em 1541, a cidade de Santiago foi fundada. Nela, estão reunidos espaços importantes da tradição local: a Catedral Metropolitana (construção do século XVI, principal marco católico da cidade); o Museu Histórico Nacional (aberto desde 1982, conta a história do país, através de exposições e possui um relógio na torre, que funciona desde 1868); o Museu Chileno de Arte Precolombino (é o centro arqueológico mais importante do Chile, com artefatos históricos que remotam à 3.000 anos) e o Edifício dos Correios (que já foi residência de presidentes). A vida nessa região é pulsante, são centenas de turistas, moradores na correria do dia a dia, artistas de rua, músicos, vendedores e lojas, tudo misturado. Uma dica legal é que aos sábados ocorre uma feira de antiguidades.

Depois de turistar pelo centro, andamos mais 10 minutos, chegando no Palacio de la Moneda, sede do governo chileno e onde ocorre a troca da guarda, em dias alternados. Inaugurado em 1805, o prédio é imponente e abriga diversos ministérios, além do gabinete da presidência. Se você gostar deste tema, pode fazer uma visita guiada pelo palácio, mas precisa ser reservado com antecedência. Como falei, não tínhamos muito tempo e queríamos conhecer um pouco de tudo, temos planos de voltar. Se você estiver com tempo e curtir este tipo de passeio, escolha um (ou mais) museu e aproveite!

Quando soube que Santiago tem alguns lugares legais para passear e avistar a Cordilheira, fiquei bem empolgada. Então, nós fomos direto para o Cerro Santa Lucía, um morro com 70 metros de altura, com lindos jardins e super bem conservado. É incrível a tranquilidade que este lugar passa (você até esquece que existe uma super cidade se movimentando lá embaixo). Lá em cima, estão a Terraza Neptuno e o Castelo Hidalgo; você precisará de um fôlego a mais para subir as escadarias. Se quiser mais informações, lá existe um posto turístico da prefeitura, que organiza tours pela cidade, gratuitamente. O lugar é tão encantador que, na empolgação, nem tiramos muitas fotos (foi mal, pessoal☹️). Para quem for de metrô, as estações Universidad Católica e Santa Lucía são, praticamente, na frente.

A fome era grande e nós fomos correndo atrás de um lugar legal para nosso almoço. Lembrei das dicas do Patio Bellavista, um local bem charmoso e conhecido pelos turistas. Do Cerro Santa Lucía até lá foram uns 30 minutos de caminhada, deu para explorar várias ruas do famoso bairro Lastarria. O clima lá é bem gostoso, existem diversas opções de bares, restaurantes e lojinhas. Nós escolhemos o restaurante Como Água para Chocolate (se quiser saber mais sobre nossa experiência lá, veja esse post) e conseguimos almoçar, descansar e organizar os planos.

Nosso próximo destino era o que eu estava mais ansiosa para conhecer naquele dia: o Cerro San Cristóbal, no Parque Metropolitano de Santiago, que fica pertinho de onde estávamos. O melhor jeito de você subir é pelo Funicular, prepare-se, pois a fila é grande. Se quiser, pode comprar o ingresso antes, mas, queríamos ter certeza de ir em um dia bonito, uma vez que Santiago tem muita neblina e podia atrapalhar o passeio, então deixamos pra comprar na hora mesmo. Ali, também está o Zoológico da cidade, você pode descer na estação “Zoológico” para visitá-lo ou ir até o final, comprando seu ingresso para a estação “Cumbre”, que fica à 820 metros acima do nível do mar. O valor varia para dias de semana e finais de semana ou feriados, fica entre R$ 10,00 a 15,00 por pessoa.  

A fila na entrada do Funicular – Foto: Viajante Express

Era final de tarde e a nossa decisão não podia ter sido melhor, porque lá em cima, a vista, o local, tudo é incrível; acho que, se eu morasse em Santiago, iria todos os dias. É indescritível ver a Cordilheira com os topos nevados, a cidade e seu contraste com a natureza. Que gratidão por presenciar aquilo. Depois de mais de uma hora ali, resolvemos ir embora. Você pode descer a pé ou pelo teleférico (que está incluso no seu ingresso). Eu enfrentei meu medo de altura e fomos de teleférico (o projeto foi todo reformulado, com tecnologias bem modernas, depois do terremoto de 2010), percorrendo um trajeto de quase 5 km. Descemos na estação Oásis, no final do parque.

Vale lembrar que a área do parque é imensa (ele é o maior da América Latina), há muitos outras atrações e você não precisa conhecer apenas o Cerro San Cristóbal. Ah, uma dica importante para quem quiser: La Chascona, a casa de Pablo Neruda, fica bem perto da entrada do Funicular, o local é um museu e, se lhe interessar, passe lá antes de subir para o Cerro.

Extasiados, saímos do teleférico e caminhamos mais meia hora de volta ao hotel. Tomamos banho, relaxamos um pouco e saímos para jantar no Yokono, um fast food diferente que tem por lá (veja nosso relato sobre ele neste post). Voltamos para o hotel para nos preparamos para a aventura do segundo dia.

Dia 2 – Cordilheira dos Andes e Farellones

Nosso dia começou cedo, ainda estava escuro na rua quando a van nos pegou no hotel. No dia anterior, compramos um passeio para a Cordilheira dos Andes, para a estação de ski Farellones. Uma dica muito importante de ser lembrada é: não vá sozinho! Normalmente, fugimos destes passeios turísticos, mas, em certos lugares, é essencial. A menos que você more lá ou conheça alguém, não tente se aventurar alugando carros e dirigindo pela Cordilheira; a estrada é perigosa, até motoristas experientes precisam de atenção e cuidado redobrado, principalmente no inverno.

Nós compramos o pacote com a Somos Tour, e o serviço foi excepcional: tudo muito organizado, guia chileno muito querido, cumpriram tudo o que havia sido combinado e o melhor: a van era pequena, sem muitas pessoas, o que tornou a aventura ainda mais especial. Esses passeios não são baratos (já se prepare para desembolsar uns R$ 300,00 por pessoa, ao todo), mas valem cada centavo. Depois de buscar todos os participantes em seus hotéis, começa a jornada. Logo antes da subida da Cordilheira, paramos em uma loja de aluguel de trajes para a neve. Recomendamos muito que você alugue, pelo menos o casaco, as calças e os sapatos; mas lá tem de tudo, até equipamentos de ski e snowboard. Se você já tiver estas vestimentas, aguarde o resto do seu grupo ficar pronto e prepare-se para começar a aventura.

A estrada para a Cordilheira é magnífica, ver aquelas paisagens, aquela imensidão mexeu demais comigo (para quem não sabe sobre a minha relação com a natureza, leia este post). Nosso guia explicou que são 40 curvas, até chegarmos à Farellones, a mais de 2.000 metros de altitude! Durante a subida, é possível ver a cidade de Santiago ficando pequena, à medida que avançamos no caminho; que paz foi sentar lá e contemplar a beleza da mãe natureza e a cidade construída sobre o seu abraço. O guia também comentou que, por estar localizada em um vale entre as Cordilheiras, Santiago é uma das cidades com a pior qualidade de ar do mundo, pois a poluição não consegue se dissipar, devido à altura das montanhas; ele nos disse então, para aproveitarmos o passeio para respirar o verdadeiro ar puro.

Parada durante a subida. Que vista! – Foto: Viajante Express

Fizemos uma parada para tirar fotos. Meus amigos, é cada paisagem de tirar o fôlego, cada lugar com uma beleza sem igual. Aproveite este tempo para contemplar, é só o que eu tenho à dizer. Chegando no parque, você enfrenta uma fila para comprar o seu ingresso, que inclui todas as atrações, exceto as aulas e pistas de ski. Você também pode usar um guarda volumes, que custa em torno de R$30,00; como não havíamos levado muita coisa além da minha bolsinha guerreira com a câmera e celulares, acabamos economizando esse dinheiro.

Uma vez dentro do parque, a diversão é garantida; você pode fazer tirolesa, andar de teleférico, brincar na neve (quem aí pensou na musiquinha de Frozen?), tubbing (descer na neve com uma bóia), aulas de ski (com valor à parte) e andar no trineo (skibunda) quantas vezes quiser. Dependendo do horário e do dia, talvez pegue algumas filas, mas nada que vá estragar o seu passeio. Para mim, sem dúvida, o mais legal foi parar para pensar que estávamos literalmente na Cordilheira dos Andes, no meio da neve, da montanha, pertinho do céu. Fico arrepiada só de lembrar da sensação de euforia que foi viver aquilo.

Depois de tanto brincar, bateu a fome. Existem restaurantes dentro de Farellones, mas não recomendamos, pois são mais caros, com um atendimento bem ruim. Fora do parque, mais à frente, existem várias opções de alimentação melhores e mais em conta. Você também pode levar o seu lanche, se quiser economizar nisso. Por volta das 16hrs, nosso guia estava esperando no local marcado; descemos a montanha com o coração transbordando de felicidade e gratidão, sem acreditar que aquilo era real. Pelo caminho, ainda vimos algumas raposas, animais bem comuns na região.

Hora de se despedir das cordilheiras – Foto: Viajante Express

Conforme combinado, a van nos deixou em frente ao hotel, no finalzinho do dia. Relaxamos um pouco e, mais tarde, fomos dar uma volta atrás da janta, no shopping Costanera Center. Que dia!

Dia 3 – Costanera Center, Providência e Parque Metropolitano

Nosso último dia em Santiago também foi o mais calmo, estávamos exaustos dos últimos dois dias frenéticos de muita caminhada e emoção. Decidimos então dar uma volta pelo bairro Providência, onde ficava o nosso hotel. Cheio de ruas charmosas, cafés, lojas e árvores. É um dos principais bairros da cidade e um dos mais bonitos também. Nos sentimos muito seguros e percebemos que a região é bem limpa.

De lá, seguimos para o Parque Metropolitano, desta vez, a parte mais baixa e afastada do Cerro San Cristóbal. Que lugar aconchegante, cheio de árvores, gente passeando e teleféricos indo e voltando. No início da tarde, nos dirigimos para o shopping mais famoso da cidade.

O Costanera Center é gigantesco, nunca vi nada parecido. Além do shopping, lá se encontra o Sky Costanera, o prédio mais alto da América Latina, todo revestido de vidros, resistentes aos constantes tremores da cidade. Você pode subir os seus 300 metros de altura, para ter uma vista panorâmica; nós só não fomos porque o dia estava muito nublado e um pouco chuvoso, não valeria a pena (tivemos sorte de explorar tudo nos dois primeiros dias, que estavam lindos).

Sky Costanera – Foto: skycostanera.cl

Decidimos então perambular por lá, conhecer algumas lojas locais, fazer umas comprinhas (lá existem 3 lojas de departamento gigantes, com preços mais camaradas, além de um supermercado recheado de comidas diferentes) e nos perdermos pelos seus (pasmem) 6 andares. Depois das compras, voltamos a pé para o hotel para nos prepararmos para fechar com chave de ouro essa viagem: jantando no restaurante Ocean Pacific’s (leia nossa experiência neste post).

E assim encerramos nossos dias em Santiago, essa cidade incrível em história, modernidade, natureza e gastronomia. Lembrando que queremos voltar muitas outras vezes, não só a Santiago, mas temos planos de visitarmos outras partes do Chile, como Embalse el Yeso (onde fica Cajon del Maipo), Torres del Paine, Carretera Austral, Viña del Mar, Valparaíso e Vinícola Concha Y Toro. Continuem nos acompanhando para não perder nada das próximas viagens. Aproveitem nosso roteiro e dicas e tenham uma ótima aventura!

Natália – Time Viajante Express

Veja também:

O restaurante mais legal do mundo fica em Santiago

Como Água para Chocolate – Um restaurante que vale a pena em Santiago

Yokono – Uma opção de restaurante barato em Santiago

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